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In dubio pro Agro

06/04/2018

Sendo 3 os modelos de engorda no Brasil, acredito que o do que mais me recordo é o extensivo, praticado na fazenda em que eu passei minha infância. Lembro-me de ouvir, certa vez, um professor dizer que a pecuária extensiva era aquela em que se deixava o saco de sal mineral no pasto e eram os próprios bovinos que deveriam se encarregar de abri-lo. Não é assim e não o era, mas depender exclusivamente de sol e chuva não basta, não há boa produção somente com esses elementos. É então que entram em ação as técnicas de manejo, essenciais para os reflexos positivos do setor agropecuário.

Relevante é perceber que o formato extensivo vem cedendo espaço ao formato intensivo, movimento este que pode ser percebido pelo consumidor final, tendo em vista a diferença do produto final que chega à mesa, não só dos brasileiros. Por óbvio que o processo produtivo é complexo, mas o que se percebe é um estreitamento de laços entre os produtores e os consumidores, especialmente pela grande mídia e pelo acesso à rede mundial de computadores, o que permite maior e mais qualitativo acesso à informação.

Como eu costumo parafrasear, em tom descontraído, “o agro é tech, o agro é pop e o agro é tudo”. Brincadeiras à parte, o agro pode não ser tudo, mas representa grande parte da vida dos brasileiros, ainda que muitos não se deem conta. Satisfação é perceber, cada vez mais, iniciativas para tornar o agronegócio mais presente na vida das pessoas, especialmente através do acesso a conteúdo e informação de qualidade, tal como se propõe o Blog da Carne e esta coluna. Ao olhar de dentro da porteira hoje, percebo que a tecnologia é um grande diferencial, assim como na área do Direito. Tecnologia nas etapas (cria, recria e engorda), no caminho entre o campo e o consumidor final e, ainda, no acesso à informação, o que permite que nos mantenhamos atualizados dos cenários, ainda que nem sempre de dentro da porteira.

Texto de José Pádua
Especialista em Produção e Nutrição de Ruminantes pela Esalq-USP,  Médico Veterinário pela Unesp-Jaboticabal,  Consultor-sócio da Terra Desenvolvimento Agropecuário,  Membro da Comissão Jovem da Famasul-MS.